sábado, 31 de julho de 2010

Não tinha mais vontade de escrever.
E isso era estranho. Era o que ela mais gostava da vida afinal. O que a acalmava, que fazia seu coração vibrar. E agora...Não conseguia...Simplesmente, não conseguia.
E isso era intensamente estranho.
Mas ela, parecia não se importar com isso. Aliás, nada mais a importava.
Havia se tornado fria, ausente, distante...E já fazia algum tempo.
Depois daquele dia, daquela notícia...Mudou. Ela mudou completamente.
Nada mais tocou seu coração. Nada mais a inspirou.
Era como o gelo. Fria como gelo. Áspera. Cheia de más e curtas respostas.
Afastando toda e qualquer forma de amor de perto dela. De alguém que pudesse ou quisesse curá-la daquela dor.
Mas olhando-a de longe. Eu a entendia.
Era só questão de tempo. Eu acreditava.
Era questão de tempo...Para aquele rosto se cobrir do vermelho natural que vinha junto com seu sorriso mais bonito.
Questão de tempo...Para todo aquele gelo, que congelava seu coração se derreter e cair aos pedaços no chão.
E nesse dia, eu quero estar por perto. Pra quem sabe sorrir pra ela e dizer um oi.
Pra quem sabe poder romper todo o seu medo, e dizer o quanto ela é bonita, o quanto ela é especial.
E o quanto eu gosto dela, afinal.
E nesse dia...Eu a inspirarei de novo. Serei sua inspiração. E o que sentiremos um pelo outro, trará os mais bonitos e emocionantes textos românticos já lidos.
Ela voltará a escrever. Mais que antes.
E eu estarei ao seu lado, dando-lhe todo apoio necessário.
A aplaudirei de pé quando seus livros forem lançados.
Um atrás do outro, com igual sucesso.
E ela será mais que feliz, no final das contas.
E eu quero estar, sempre ao seu lado.

4 comentários:

André Santos. disse...

Que bunitim sô.
rs

A Menina que amava livros disse...

Muito lindo *--*
Amei o texto

^^

Taw disse...

É... é bem melhor deixar "derreter" naturalmente e aproveitar as oportunidades...

xD

Paulo Vitor Cruz disse...

n sei se é um texto real, mas se for, te recomendo um texto pra refletir sobre o ato de escrever e as horas em q n há 'vontade'.
o texto é de Carlos Heitor Cony, e saiu na folha de São Paulo no dia 12 de junho de 2005;
apesar do puxasaquismo elevado, há uma verdade ali:

"A lâmpada de Érico

RIO DE JANEIRO - Convidado para participar em Porto Alegre de um debate sobre a obra de Érico
Veríssimo, cujo centenário de nascimento comemora-se neste ano, andei relendo alguns de seus livros
que considero mais importantes. E deparei-me com uma cena e um comentário que muito me
impressionaram em “Solo de Clarineta”, que são suas memórias.
Filho de um dono de farmácia em Cruz Alta (RS), farmácia que, nas cidades do interior, funciona
como único pronto-socorro da coletividade. Ali chegou um homem gravemente ferido, com o abdome
aberto, por onde saíam os intestinos, muito sangue e pus. Era noite, o homem estava morrendo.
Chamaram Érico, mal saído da infância, para segurar uma lâmpada que iluminasse o ferimento que
deveria ser operado por um médico de emergência.
O menino teve engulhos, ficou enojado, mas agüentou firme, segurando a lâmpada, ajudando a
salvar uma vida. Em sua autobiografia, ele recorda aquela noite e comenta:
“Desde que, adulto, comecei a escrever romances, tem-me animado até hoje a idéia de que o
menos que um escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua
lâmpada sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões,
aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror”.
Creio que não há, na literatura universal, uma imagem tão precisa sobre o ofício do escritor,
principalmente do romancista. Leitores e críticos geralmente reclamam das passagens mais escabrosas,
aparentemente de gosto duvidoso, de um romance, texto teatral, novela ou conto. Acusação feita à escola
realista, na qual se destacaram Zola e Eça de Queiroz. No teatro, Nelson Rodrigues e até mesmo
Shakespeare em alguns momentos, como na cena do porteiro de “Macbeth”.
Érico acertou na veia ( perdoem a imagem que está na moda). Ele também ergueu sua lâmpada e
iluminou parte da escuridão em que vivemos."

*n deixe a lâmpada apagar...

abc.