quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A cidade já dormia, quase todo mundo. Era inverno e estava frio, frio como nunca esteve naquela cidade. Alguns poucos carros rodavam na avenida. A praça...A praça estava mais bela do que nunca.
E de repente...Chovia...Era como se pudesse cair toda água possível do céu. A chuva...Limpava a cidade, era como se redimisse todas aquelas pessoas...
Mas havia, de alguma forma, meio que despreocupada talvez, uma alma perdida no meio da praça...No meio da chuva.
Era uma garota. E eu fiquei sem entender, como ela podia estar ali? Sozinha...Na chuva. Eu podia sentir o frio e tremia com ele. Ele faria qualquer pessoa tremer, até os mais fortes. Não entendi, e ela me intrigou, continuei oberservando-a.
Quando cheguei mais perto, percebi uma coisa...Aquela garota chorava e chorava muito. E nesse momento, meu coração se apertou, eu fiquei me perguntando, o que poderia fazer alguém chorar daquela maneira?
O que teriam feito a ela? Será que foi algo que alguém falou? Será que...Alguém de sua família tinha morrido? Um término de namoro talvez, qualquer coisa assim, mas ela...Não parava de chorar...
E do nada, em um piscar de olhos...Ele apareceu. No começo ele corria, mas quando se aproximou, foi diminuindo o passo, como se não quisesse incomodá-la, como se tivesse medo de tocá-la. Mas eu podia sentir a aflição nos olhos dele, a dor também. Era como se nada pudesse deixá-lo mais triste do que vê-la chorando. E eu senti, de onde eu estava, que ele era a pessoa certa pra estar ali naquele momento.
Como um filme, ele fez tudo o que eu nunca pensei que um cara realmente pudesse fazer...
Ele se abaixou, ao lado dela, e como em um salto, a abraçou, mas a abraçou tão forte, e naquele abraço, parecia ter tanto medo de perdê-la...Tanto medo...
Até aquele momento, ela ainda não tinha percebido que ele estava ali. Quando os braços dele a rodearam, com toda a proteção que era possível, ela entendeu. Entendeu que podia chorar, que não deveria sentir medo...Entendeu que com ele seria assim. Fácil como respirar...
E se jogou nos braços dele e chorou como nunca vi alguém chorando...
Quando cheguei mais perto...Pude ouvir aquelas palavras, das quais, eu nunca me esqueci:

- Vai ficar tudo bem...Eu tô aqui...Tô aqui com você. E eu nunca vou te deixar sozinha.


E de repente, ele me olhou...Eu paralizei, a cena congelou. E ela ainda chorava. Eu tentei me desculpar, ele apenas sorriu, fez um sinal com as mãos pra eu fazer silêncio e sorriu de novo.
Me virei, e deixei os dois ali...Naquela cena de filme, congelada pra sempre em minha mente. Quando pude perceber, eu estava chorando também...E não era de tristeza.
Depois eu sorri, era de esperança.
Por uma fração de segundo...Era como se o mundo fizesse sentido.

5 comentários:

Luísa. disse...

Fico feliz que você esteja voltando a escrever. ^^

Luísa. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ALuS disse...

Que bom q escreveu! Continue escrevendo. oK! Aliás... legal o texto!!!

A Menina que amava livros disse...

Muito lindo *-*
Continue a escrever,talentos assim não podem ser desperdiçados.

^.^'

H. Steiner' disse...

hm... pra o mundo fazer sentido, algo muito bom tem que acontecer mesmo. ^^'