sexta-feira, 29 de abril de 2011

apenas uma menina.

Olhei pra ela debaixo dos pingos de chuva daquela tarde. E sinceramente, eu nunca tinha visto tanta chuva assim cair do céu. Eu não entendia. Não conseguia entender o que estava acontecendo. Ela era apenas uma criança, meu DEUS, apenas uma criança.
Como aguentava tanto? Como segurava as lágrimas? Como poderia estar passando por algo assim?
Por vezes, eu pensava, que eu com aquela idade, não aguentaria nem metade das coisas que ela aguentava.
Era só uma menina. E na minha opinião, não merecia. Ela não merecia nada daquilo.
Tão pequena e tão frágil e ao mesmo tempo forte.
Os olhos...Revelavam a verdadeira força que guardava, que tirava de dentro de si, sabe-se lá de onde.
Mas eu teria um palpite...Era só olhar pro céu. A certeza estava lá. A maior certeza.
E ela olhava pra mim, enquanto eu...Tinha vontade de chorar.
Sua família...Que família? Tropecei no pensamento.
Ela não tinha ninguém, apenas a mim agora....E eu já tinha percebido isso.
E a partir de hoje, eu cuidaria dela. Foi o que decidi.
Cuidaria dela como cuidaria de mim mesma de agora em diante.
Era tão frágil...Mas eu a protegeria.
Não deixaria nada acontecer com ela.
E as lágrimas nunca mais, não por aqueles motivos daquela tarde, tocariam o seu rosto, não no que dependesse de mim.

5 comentários:

Hugo de Oliveira disse...

ótima narrativa...

te desejo um ótimo final de semana.

Lys Fernanda disse...

A narrativa ficou espetacular. Ate a proxima. (:

Thiago disse...

Me lembrou abandono...

ana. disse...

E a responsabilidade ao que parece agora é sua.

Lua disse...

Gostei muito...
:-)